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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Alcoa. Impressionado e ponto.

 
 
Olá Amigos,
 
Mais uma empresa acaba de nos encaminhar as respostas, desta vez a Alcoa.
 
Digo que estou realmente impressionado não só com a atendimento que recebemos pela assessoria de imprensa da empresa, como também pela qualidade das respostas.
 
Se todas as empresas fossem tão diretas e transparentes em suas relações e jogassem o jogo bem jogado como fez a Alcoa, com certeza os dados apresentados neste blog, de uma maneira geral, seriam sempre muito interessantes (não é verdade VW ?).
 
Ao ler todas as respostas, podemos dizer que o que recebemos foi, com certeza, uma das melhores ações de report encaminhadas ao nosso blog dos últimos tempos.
 
Ficamos impressionados com a maneira clara e direta em que a empresa se dirigiu até nós e apresentou seu posicionamento. Pode ser que algumas pessoas não concordem com o posicionamento da Alcoa em algumas questões, mas temos que respeitar a forma de trabalho da empresa, realmente louvável.
 
Assim, com muito orgulho apresento as respostas da empresa neste post. Boa leitura.
 
 
1- Vocês poderiam apresentar uma prestação de contas sobre a gestão de risco da empresa? O que foi feito em 2011 sobre esta questão?

A Alcoa possui um Comitê Estratégico de Gestão de Risco tanto para commodities como moedas, localizado em Nova Iorque.
O Comitê é responsável pela criação da política de gerenciamento de risco que tem como objetivo principal o mitigar as exposições de metal e moeda das empresas do grupo Alcoa.
A gestão destes riscos pode ser realizada tanto por meio da estruturação de compra física/ contratos de venda de metal ou por meio de instrumentos de derivativos feitos junto as instituição financeira.  Para toda e qualquer contração as regiões submetem ao comitê uma proposta detalhada para mitigar sua exposição em questão, que por sua vez só é efetuada após aprovação formal do comitê.
No ano de 2011 nenhum derivativo foi feito na Alcoa Alumínio.
 
2- Sobre as questões relativas a corrupção, quantos casos foram identificados pela empresa e como foi tratada a questão ?
Nenhum caso foi identificado pela empresa em 2011 e, como informado, todas as unidades passaram por avaliações.
 
3-  Com relação aos fornecedores, vê se que dos 1100 contratos firmados com fornecedores críticos, apenas 30 foram auditados em 2011, menos de 3% do total. Será que é por isto que não se tem registro de desvios? Qual a razão de uma auditoria numericamente tão pequena?
Em 2011 foram avaliados mais de 200 fornecedores ou 18,18% do total dos contratos firmados para o ano. Esta avaliação é feita por meio de questionários respondidos por estas empresas e da análise das evidências que são solicitadas para comprovação das respostas ao questionário. Destes 200 fornecedores, além da avaliação documental, fizemos a visita in loco em 30 destes para verificação presencial de todas as condições respondidas ao questionário, desta forma avaliamos presencialmente 15% do total avaliado em 2012.
4- Seria possível conhecer as cláusulas de direitos humanos que devem ser atendidas pelos fornecedores da Alcoa?
Sim, segue em anexo os termos gerais de contratação que constam em nossos contratos, anexos. (os interessados em ver este artigo, favor pedir por e-mail - nota do blog)
 
5- O que é avaliado, em termos de sustentabilidade pela Alcoa, de seus fornecedores presente no questionário citado na página 6?
São avaliadas as seguintes dimensões: governança, social e ambiental. Em governança incluímos combate a corrupção, transparência nas relações e informações, relações com a concorrência. Na dimensão social são avaliadas certificações sociais, de saúde e segurança no trabalho, erradicação do trabalho infantil, do trabalho análogo ao escravo, e de qualquer tipo de discriminação, bem como gestão inclusiva, relações com fornecedores, relações com a comunidade. Na ambiental são avaliadas certificações ambientais, gerenciamento de impactos, minimização de entradas e saídas de materiais, como também gestão ambiental, gestão de pessoas e gestão operacional.
 
6- Quanto que o Fundo Juruti investiu na comunidade neste ano de 2011?
Em 2011 foram executados os projetos financiados no 1º. Edital. Ao todo, foram 22 projetos nas seguintes linhas temáticas: 14 capital econômico, cinco capital social e dois capital ambiental, realizados entre de maio/2010 e até o primeiro semestre de 2012, resultando no investimento de R$ 528 mil.
Em dezembro/2011, a Prefeitura, organizações civis do município, Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e Alcoa assinaram protocolo de intenções para o estabelecimento do Fundo Semi-Patrimonial, fortalecendo o Funjus e garantindo investimentos em projetos de sustentabilidade nos próximos dez anos em Juruti. Para esse período de dez anos, o Fundo captará investimentos de R$ 6 milhões em múltiplas fontes, garantindo uma média de R$ 500 mil/ano em projetos.
 7- Vocês poderiam definir o que é erro humano no conceito da Alcoa sobre as relações trabalhistas ?
No conceito de Desempenho Humano, erro é uma ação ou comportamento não intencional, que resulta em condição indesejável; conduz uma tarefa ou um sistema fora de limites aceitáveis; ou desvia de um conjunto de regras. Os erros pode ser ativos ou latentes. Ativos são os erros que mudam os equipamentos, sistemas ou área de trabalho gerando consequências indesejadas, imediatamente. Latentes são erros, atos ou decisões que resultam em fraquezas organizacionais ou falhas de equipamentos, as quais permanecem adormecidas até serem reveladas.
 8- Por que vocês não possuem uma política formal para contratar fornecedores locais ?
Devido a complexidade e diversidade de itens adquiridos para nossa operação, a Alcoa, apesar de não possuir uma política formal para contratar fornecedores locais, desenvolve junto a entidades governamentais como Programa Redes (Pará),  PROCEM(Maranhão), Programa Vínculos (Pernambuco) programas formais para capacitar os fornecedores locais para que estes se tornem competitivos.
 
9- Por que apesar das boas taxas de clima organizacional a rotatividade de empregados jovens cresce ano após ano?
De fato a Alcoa consegue bons resultados em Clima Organizacional. A Alcoa foi considerada uma das melhores empresas para se trabalhar pelo Instituto Great Place to Work® por 11 vezes, inclusive nos últimos dois anos: 2011 e 2012. Especialmente agora, num momento difícil do mercado de alumínio no Mundo e no Brasil, esta premiação deixa a empresa ainda mais orgulhosa.
O Turnover de jovens na Alcoa em 2011 foi de 15% em 2011, menor à taxa geral do mercado de trabalho, onde temos índice de 23% de rotatividade, de acordo com os dados da Pesquisa Brasileira em Gestão de Pessoas e Negócios para a Sustentabilidade realizada pela consultoria Sextante. Na nossa visão, os últimos anos da economia brasileira, que é destaque diante de outras economias mais recessivas, demandou fortemente novos profissionais e a escassez intensificou esta disputa por talentos. A grande oferta de emprego aliada ao perfil deste público jovem, uma geração que traz uma mudança na forma de estabelecer e manter vínculos duradouros com as empresas, impactou no crescimento do turnover não só na Alcoa, mas em todo o mercado de trabalho no Brasil e no mundo.
Temos buscado através da montagem de programas especiais, como o programa de Estagiários e o de Novos Engenheiros, por exemplo, fortalecer e catalisar este momento de adaptação entre um novo profissional e a Alcoa. Estes programas consideram mudanças desde a forma de seleção, passando pela integração com os negócios e empresa, chegando ao processo de gestão de talentos e educação continuada. Este esforço tem o objetivo de aprimorar e de prolongar a relação dos profissionais contratados com a Alcoa. Como resultado já somos reconhecidos como uma das melhores empresa para se iniciar a carreira, segundo a revista Você SA.
 
10- Vocês poderiam explicar como funciona o conselho regional de relações comunitárias e como é efetivamente realizada sua governança ? Este projeto ocorre em todas as plantas da Alcoa ?
Para tornar o relacionamento com as comunidades onde atua o mais transparente possível, garantir os benefícios e a continuidade das ações sociais, a Alcoa criou, em 2001, o Conselho Regional de Relações Comunitárias, responsável pelas decisões das aplicações dos recursos da Alcoa e Alcoa Foundation, destinados às comunidades.
Os representantes de Relações Comuitárias da Alcoa das localidades atuam como facilitadores no processo junto ao Conselho Regional. A decisão final dos demais integrantes do Conselho é importante e respeitada, sempre levando em consideração a linha de atuação, os Valores e Políticas da companhia. Os projetos apresentados pelos voluntários e analisados pelos Conselhos Regionais são viabilizados com recursos destinados pela Alcoa Foundation e Instituto Alcoa. Os conselhos analisam e discutem a alocação desses recursos e a supervisão de projetos, depois de apresentação dos trabalhos comunitários, feito e acompanhado por funcionários voluntários da empresa.
Ao serem aprovados, os projetos são encaminhados para análise final do Comitê de Projetos do Instituto Alcoa e Alcoa Foundation. Os Conselhos Regionais são geralmente compostos por três funcionários da Alcoa na localidade, dois representantes de mais duas empresas da região e integrantes de associações de classe (associações comerciais, de pais e mestres, moradores, entre outros) e representantes governamentais. O número de participantes em cada projeto conta, em média, com a participação de 12 pessoas.
Os Conselhos Regionais atuam neste formato nas unidades brasileiras de São Luís (MA), Poços de Caldas (MG), Itapissuma (PE) e Tubarão (SC).
 11- Vocês não citam no relatório exemplos de projetos sociais e resultados. Vocês poderiam ser mais claros neste ponto ?
Em abril de 2010, ao completar 20 anos no Brasil, o Instituto Alcoa iniciou um processo de mudanças em sua atuação, com o objetivo de aprimorá-la para uma contribuição ainda maior ao desenvolvimento social das comunidades com as quais a Alcoa se relaciona.
Somente o ano passado, foram investidos cerca de R$ 3,4 milhões em 52 projetos sociais. Desde 1995, o Instituto Alcoa e a Alcoa Foundation investiram R$ 99,5 milhões em mais de 1.950 projetos.
Além de manter os programas e ações de incentivo ao voluntariado corporativo: ACTION, BRAVO!, Semanas Verdes e Mês Mundial de Serviços Comunitários, o Instituto Alcoa reformulou o Programa de Apoio a Projetos Locais e criou um signature program, o primeiro de sua história: o ECOA - Educação Comunitária Ambiental. Com duração de 12 meses, o Programa ECOA conta com 10 Núcleos de Sustentabilidade, sendo que oito foram implementados neste primeiro ano e os outros dois em 2012.
Os principais resultados até Maio deste ano são:
CURSO DE AGENTES AMBIENTAIS: 9 Cursos De Agentes Ambientais concluídos e 254 Agentes Ambientais certificados;
ATIVIDADES LÚDICAS EDUCATIVAS: 111 atividades e 8.795 pessoas mobilizadas;
EVENTOS TEMÁTICOS: 16 eventos temáticos realizados e 7.820 pessoas mobilizadas;
OFICINA TEMÁTICA: 6 oficinas realizadas e 184 pessoas mobilizadas;
 
Quantidade total de pessoas mobilizadas
Atividades
Quantidade prevista
Quantidade realizada
Curso de Agentes Ambientais
80
254
Atividades Lúdicas Educativas
1750
8795
Oficinas Temáticas Ambientais
400
184
Eventos Temáticos Ambientais
1200
7.820
Cursos Opcionais
250
37
Total
3680
17090
 

O Programa de Apoio a Projetos Locais acontece em todas as localidades e se dá por meio do financiamento de projetos de organizações locais (OSCs e organizações do setor público). A definição dos focos destes projetos é feita a partir da identificação das demandas das comunidades, pelos gerentes, Representantes de Relações Comunitárias (RCs) e Conselhos de cada localidade, conjugadas com os resultados dos diagnósticos e outras peculiaridades locais.
Assim, cada localidade elege um dentre os seguintes focos para o financiamento de projetos: Educação; Saúde; Meio ambiente; Trabalho e renda; Segurança.
Os públicos diretamente atingidos podem ser crianças, jovens, adultos, idosos, lideranças comunitárias, trabalhadores de organizações sociais e do setor público.
12- Parabéns por exemplificar que para Alcoa fornecedor local é aquele que está no município da sua operação. Muito claro isto! Mas gostaríamos de saber porque os fornecedores das pequenas cidades estão diminuindo ano após ano dentro do portfólio da Alcoa ?
De uma forma geral, o volume das compras tem diminuído sendo este um efeito da crise que ainda persiste no setor do alumínio, aliado ao fato de termos concluído alguns importantes projetos que demandavam um grande volume de compras. Entre eles destacam-se a construção da Mina de  Juruti, no estado do Pará, e da expansão da fábrica da Alumar em São Luis, no estado  do Maranhão, e com o final destas obras, os volumes de compras diminuiram sensivelmente, pois alguns serviços e produtos que eram necessários durante este período não tem a mesma demanda na fase de Operação.
13- Gostaríamos de sugerir que no próximo ano a empresa apresente informações além dos funcionários, mas também dos terceiros. Num mundo onde a terceirização é bastante comum, é uma pena não recebermos estas informações. A GRI é bastante clara ao pedir isto em vários indicadores da família LA, como o LA1, por exemplo. Faltou informações importantes sobre esta questão das relações trabalhistas.
 
Avaliaremos, sim, como aprimorar este quesito já no próximo relatório 2012. Conforme o indicador LA 1, o total de trabalhadores terceirizados por região de atuação da Alcoa está demonstrado conforme a seguir: Nordeste: 1.437, Norte: 1.773, Sudeste: 673 e Sul: 93, totalizando 3.976 funcionários.
14- Sobre as hidrelétricas, sentimos uma falta de transparência sobre as polêmicas acerca das usinas Barra Grande e Pai Querê. Sem entrar no mérito das controvérsias do projeto, entendemos que um relatório de sustentabilidade deve atender ao princípio de equilíbrios trazendo as notícias boas e ruins, e neste ponto este relatório deixa a desejar, uma vez que não traz absolutamente nada sobre toda a forma que este projeto está sendo conduzido, se limitando a escrever que existe 93% de aprovação da população no entorno do município da usina Barra Grande.
A audiência pública de Pai Querê foi bastante complexa, o que no mínimo mereceria uma abordagem mais assertiva neste relatório. Do ponto de vista de credibilidade, a Alcoa acaba nos deixando, a partir deste momento de leitura, com a “pulga atrás da orelha” sobre a gestão da empresa nesta questão.
Poderíamos receber esclarecimentos e a visão da empresa sobre tudo o que se divulga na internet (e não é pouco) sobre estes projetos? Ou devemos formar nossa opinião com o que está sendo publicado?
Vejam o que encontramos a respeito:
 
http://riouruguaivivo.wordpress.com/, http://observatorioambiental.com.br/2012/03/26/mais-uma-hidreletrica-do-pac-e-questionada-por-ambientalistas/ http://crismenegon.com.br/portal/1-artigos/2017-a-barragem-de-paiquere.html São críticas e mais críticas sobre destruição, desrespeito a comunidades, fraudes, erros técnicos e por aí vai...
 
Este questionamento é bastante relevante e nos dá a oportunidade de esclarecer alguns pontos importantes sobre a participação da Alcoa em empreendimentos hidrelétricos de maneira geral, bem como avaliar se é possível aumentar o nível de informações sobre estes empreendimentos em nosso relatório.
O primeiro aspecto que precisa ser esclarecido é que a Alcoa é sócia de quatro usinas hidrelétricas em operação no Brasil – Barra Grande, Machadinho, Estreito e Serra do Facão –, que juntas respodem por 70% do consumo de energia da empresa, e de dois projetos em fase de licenciamento – Pai Querê e Santa Isabel. Em todos estes projetos há um consórcio constituido para construir e operar tais empreendimentos e as comunicações com stakeholders são lideradas por estes consórcios. Como cada consórcio seus relatórios de sustentabilidade, a Alcoa insere em seu relatório os dados mais relevantes desses empreendimentos, sem no entanto descatar a importância dos relatórios detalhados de cada usina.
Com relação a Usina de Barra Grande, a aprovação da comunidade mencionada refere-se aos resultados que obtivemos na pesquisa conduzida pelo IBOPE com aproximadamente 1000 pessoas moradoras e lideranças dos nove municípios da área de influência direta da usina. Outra pesquisa conduzida pela UNOESC – Universidade do Oeste Catarinense, desta vez somente com famílias que foram afetadas pela usina, também revelou boa aceitação das comunidades  (mais de 90% das 500 famílias, população diretamente afetada pelo empreendimento, relatou satisfação frente às indenizações recebidas.).
Durante a construção da Usina de Barra Grande, como em todo empreendimento desta magnitude, ocorreram tensões e conflitos sociais, boa parte causada pela presença de um novo cenário na região dos campos de cima da serra e parte também causada pelo legado adquirido quando da concessão da usina hidrelétrica. Modelos de leilões de energia da época forneciam o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) concluído, os quais continham deficiências na caracterização ambiental, resultando em passivos que deveriam ser administrados pelo Consórcio vencedor do leilão.  Foram decorridos sete anos desde a conclusão da construção da Usina e hoje o cenário de aceitação é favorável, não só porque a Baesa mantém atendimento de todas as suas condicionantes da Licença de Operação, mas também pela implantação de diversas iniciativas e projetos sociais voluntários voltados para a geração de renda, educação ambiental, cooperativismo, esporte e cultura, o que pode ser constatado com uma visita a região para realizar diálogo e/ou reuniões com os atores locais.
Com relação ao projeto da Usina de Pai Querê, as informações contidas no Relatório de Sustentabilidade se limitaram a informar o status do processo de licenciamento do empreendimento, uma vez que ele encontra-se ainda em fase de licenciamento ambiental.
A companhia respeita todas as manifestações, mas é importante ressaltar que as informações contidas na Internet, postadas pelas ONGs da área ambiental, não refletem o conjunto de esforços, ações, estudos e caracterizações sistemáticas conduzidas nas campanhas de campo solicitadas pelo Ibama. Todos os itens contidos no Termo de Referência que definiu as diretrizes do EIA foram atendidos.
Para este empreendimento, foram realizadas quatro Audiências Públicas: três delas em municípios localizados na área de influência direta da Usina: Lages/SC, São Joaquim/SC e Bom Jesus/RS e uma, última, em Porto Alegre, distante da área de influência direta, indireta ou de abrangência regional do empreendimento. A audiência ocorrida em Porto Alegre foi realizada sobretudo para atender as ONGs da capital, cuja maior parte historicamente se opõe ao projeto de Pai Querê e às grandes obras de infraestrutura em geral. Nesta audiência, onde os resultados foram amplamente divulgados nos sites das ONGs, os argumentos técnicos respondidos não eram aceitos, independente da profundidade e justificativas apresentadas. Isto se evidencia na análise das atas das quatro Audiências Públicas, todas disponíveis no site do IBAMA, ao se constatar que naquelas ocorridas nos municípios da área de influência do projeto de Pai Querê, em geral, ocorreram posicionamentos críticos e preocupações sociais e ambientais, mas amplamente favoráveis ao empreendimento.
Certamente se constatam controvérsias, muitas das quais derivadas de fortes posicionamentos ideológicos de confrontação e resistência ao projeto de Pai Querê. Antes das Audiências, a Alcoa foi a Porto Alegre e procurou abrir diálogo com os movimentos contrários objetivando entender os posicionamentos e construir soluções conjuntas, contudo não houve adesão de parte de ONGs ao diálogo e a busca de uma agenda comum para conciliar desenvolvimento e conservação, que é a nossa missão.
A partir do conjunto de informações apresentadas no EIA e no RIMA,  entende-se que, pelas características do projeto associadas às condições da região, no que tange aos temas estudados, a implantação e operação da Usina Pai Querê pode trazer à região uma série de efeitos, alguns adversos, outros benéficos, os quais, em sua maior parte, apresentam condições de controle, minimização ou compensação dos aspectos negativos, bem como a potencialização dos aspectos positivos.
 
15- Muito interessante e claras as informações sobre as medições e reduções de emissões, no entanto não ficou claro por que houve um aumento considerável nas emissões oriundas de carvão mineral nos ultimos anos. Por que isto acontece ? Este aumento não contradiz o posicionamento da empresa frente suas afirmações relativas a qualidade do ar ?
Isto ocorreu devido ao aumento de produção da Refinaria de Bauxita em nossa fábrica situada em São Luís – MA, essa planta utiliza carvão mineral para geração de vapor e a produção foi ampliada de 1.5 milhões de toneladas por ano de alumina para 3.5 milhões de toneladas/ ano, consequentemente houve  maior necessidade de consumo de carvão. O número não contradiz o nosso posicionamento, pois a mensuração de emissões está sempre relacionada com a intensidade de emissões e não das emissões em números absolutos. A intensidade de emissões pode ser entendida como a quantidade de emissões por quantidade de produto, ou seja, em nosso caso, quantidade de emissão por tonelada de aluminio ou alumina. Este indicador fornece uma indicação real dos esforços das empresas para reduzir as emissões de acordo com a sua produção.  Apesar de termos um aumento no consumo de carvão mineral e em números absolutos de suas emissões, observarmos valores menores na intensidade de emissões para as Refinarias. Além disso, temos investido em eficiência energética e projetos diversos para a redução de nossas emissões (como consta em nosso relatório de sustentabilidade). Deste modo, estamos reafirmando o nosso posicionamento com relação à qualidade do ar.
 
16- A empresa reporta dados sobre a redução do consumo específico de água. Como está a visão da empresa em relação a pegada hídrica, que agora tem um protocolo montado para esta análise?
Nós estamos atentos a esta questão e participamos de discussões sobre o assunto junto a Associação Brasileira do Alumínio – ABAL e em outros Fóruns, com o objetivo de nivelar a mensuração e gerenciamento de água no setor industrial. Mesmo com a existência de algumas metodologias, a “pegada hídrica” não está consolidada para aplicação no Brasil, requerendo aprofundamento maior para seu uso. De qualquer modo, julgamos o assunto como sendo de extrema importância e temos buscado analisar junto a parceiros a sua futura aplicação.
 
17- O que vocês querem dizer na nota da página 20 denominada EM 2011: “ a redução obteve aumento em seu consumo de 7,7%” ?

O termo “Redução” (tradução do inglês para o termo Smelter) se refere a um dos processos industriais da cadeia do alumínio no qual ocorre a transformação de Alumina (óxido de alumínio) em Alumínio. Houve um erro ao escrever “redução” em letra minúscula, pois  a palavra transmitiu o sentido de “reduzir” e não o nome do processo industrial. Corrigiremos.
18- O que a empresa faz com os resíduos perigosos que não são reciclados? Qual a segurança da sociedade para com a destinação correta destes resíduos ?

Os resíduos perigosos não reciclados representam uma parcela muito pequena, não significativa, dos resíduos totais gerados pela Alcoa. Mesmo esta parcela sendo muito pequena, estes resíduos perigosos são destinados a empresas certificadas e licenciadas para realizar a sua correta destinação final e tratamentos previstos em lei. 
 
19- Sabemos que as atividades da  mineração são impactantes para moradores do entorno das unidades. Estranhamos não encontrar qualquer informação sobre isto no relatório. Poeira, condição de estradas, acidentes de trânsito causados por caminhões da empresa ou terceiros, nada disto e reportado para nós, leitores. Vocês possuem essas informações ?

Sim. Nós dispomos dessas informações e temos, inclusive, um plano de monitoramento e contramedidas para evitar que quaisquer emissões possam causar impactos em nossas comunidades vizinhas. As nossas minas de bauxita, via de regra, estão situadas em áreas onde não há conglomerados urbanos, ainda assim, reforçamos, temos um processo estruturado para supressão de poeira, com o uso de carros pipa entre outras ações. Em relação a segurança, temos um processo bem consolidado, que contém Planos detalhados de Segurança nas estradas, onde todos os motoristas são treinados em direção defensiva, as empresas transportadoras são previamente qualificadas e fazemos auditorias para verificação de conformidade. Temos um dos melhores índices de segurança do trabalho em todo o mundo, e nos orgulhamos disso.
Todos os anos, nós realizamos uma consulta com todas as nossas partes interessadas (Ongs, sociedade civil, fonecedores, governo, funcionários, entre outros) para estabelecermos as informações que todas as partes julgam pertinentes para serem incluídas em nosso relatório. Isto é chamado de Princípio de Materialidade. Mesmo dispondo das informações descritas na pergunta, não a incluimos neste relatório pois não foram identificadas como “materiais” por nossas partes interessadas, focando em  informações que o público consultado indicou interesse em saber.
20- Retirando o investimentos em parques de conservação, quanto a Alcoa investiu em projetos sociais em 2011 ?

Ao longo de 2011, o Instituto Alcoa apoiou, seja com recursos próprios ou com recursos provenientes da Alcoa Foundation, 52 projetos totalizando R$ 3.426.854,69.

21- Vocês afirmam que das áreas degradas em 2012 vocês recuperarão 120 hectares. Isto é quantos % do total a ser recuperado ?

Isto representa 100% do total disponível a ser recuperado. Todo ano, planejamos o tamanho das áreas a serem mineradas. Uma vez que o processo de mineração é finalizado em uma área, esta será reabilitada integralmente em seqüência. Deste modo, os 120 hectares representam 100% das áreas mineradas exauridas.

22- A Alcoa traça uma linha de 1,5 milhão em multa para o conceito de significativo e daí afirma que não foram emitidas multas significativas ambientais. Qual a razão de se escolher a base de 1,5 milhão ? Os stakeholders que vivem próximo a uma unidade da Alcoa adoriam saber das multas mais baixas, relacionadas aos impactos causados na vida deles. Que tal apresentar as multas com valores até R$ 50.000,00? Será que o cenário muda? A empresa paga todas as multas ou recorre sempre ?

A razão de estabelecer R$ 1,5 milhão como base está de acordo com o porte, setor e principalmente faturamento da empresa. O GRI em seus indicadores que tratam de multas ambientais (EN28 - página 47 do Protocolo) não menciona o valor considerado significativo; também não há legislação que o estabeleça. Em 2011 foi recolhida multa no valor de R$ 50.000,00 em favor da União (Secretaria de Direito Econômico), conforme acordado no Compromisso de Ajustamento de Conduta entre o Ministério Público do Estado do Maranhão e o Consórcio de Alumínio do Maranhão assinado em 14 de janeiro de 2011. Como nos demais itens reportados no relatório, baseado no princípio de materialidade informamos aquilo que as partes consultadas julgam pertinentes, o que não foi o caso das multas abaixo da faixa estabelecida pela empresa.
Quanto ao pagamento de multas, cada caso é tratado de maneira particular, considerando o direito da empresa de recorrer quando identifica que a multa aplicada não procede ou é demasiadamente exagerada.

23- Sobre segurança vocês reportam que não houve óbitos. Isto também se aplica a todos os funcionários de empresas terceiras que trabalham para a Alcoa? Aliás, qual é afinal o número de funcionários de empresas que prestam serviços para a Alcoa?

Nosso sistema de reporte de incidentes aplica-se a empresas contratadas e sub-contratadas, sob a supervisão direta da Alcoa. Não houve óbitos envolvendo contratados, no período. Em relação ao número de contratados, isso pode variar de acordo com a localidade e o período. Para fins de implantação do programa de Desempenho Humano, temos trabalhado com um total de 6.271 contratados em 2011.

 24- Apesar de não haver óbito, o total de incidentes com lesão aumentaram de 10 para 11. Isto não é uma bomba relógio armada para um futuro acidente fatal ? Qual o trabalho da empresa para reduzir este índice ?

Para a Alcoa, evitar fatalidades relacionadas ao trabalho é uma prioridade. Existe um programa específico, chamado Prevenção de Fatalidades, onde as localidades são responsáveis por identificar e eliminar/controlar os riscos com potencial de fatalidade. O time de prevenção de fatalidades reune-se periodicamente para acompanhar o andamento das medidas de proteção, sob a liderança dos gerentes operacionais, demonstrando o comprometimento dos líderes da Alcoa com o assunto. Além deste programa, todo incidente com potencial de fatalidade é classificado como um major incident, independente de haver ou não lesão. Estes incidentes passam por uma investigação rigorosa com o objetivo de identificar e eliminar/controlar os riscos de fatalidade. Ainda, todos os major incidents são discutimos globalmente, todos os meses, para compartilhar aprendizados e boas práticas de forma a agir preventivamente a partir do aprendizado de outros.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Alcoa. Presidente direto em seu discurso. Ponto para a empresa.




Olá Amigos,

Nesta semana nossa equipe leu um relatório de mais uma empresa que nos convidou para uma leitura e para testar os limites. A Alcoa.

Mineradora de bauxita e produtora de alumínio a Alcoa apresentou este ano um relatório diferente do ano anterior, para falar a verdade bem diferente.

Com poucas páginas e escrito de uma maneira direta e objetiva, com uma diagramação prática e sem fotos de empregados sorridentes e crianças bem nutridas, o documento ganhou um ponto positivo na carta do presidente.

De uma maneira direta e simples, o Sr Franklin Feder expõe o cenário da empresa, citando o seu prejuízo nos últimos anos, sua evolução e os resultados deste ano.

Diferente de outras empresas em que o presidente fala para os acionistas e não para o público em geral, este presidente prende a sua leitura ao começar citando as questões sociais e ambientais da organização para posteriormente entrar na parte econômica em si.

O documento é muito prático e direto, a primeira vista parece ser um ótimo material, mas nas entrelinhas deixa muito a desejar no quesito de equilíbrio das informações, não adentrando em temas polêmicos, como impactos nas comunidades onde opera, assuntos controversos das usinas hidrelétricas, multas ambientais, impactos na biodiversidade, entre outros. Vários indicadores importantes não são reportados. 

Para uma empresa da importância da Alcoa, consideramos este relato bastante tímido, pouco ousado e com aparente falta de transparência das informações, o que pode ser acarretado pelo formato muito resumido do relatório e que esperamos sanar com os questionamentos abaixo:

Prezados Profissionais da Alcoa.

Sou Roberto Leite, editor do blog "testando os limites da sustentabilidade" e atendendo um convite de vocês, nossa equipe leu o relatório da empresa deste ano e estamos com algumas dúvidas que gostaríamos e muito que fossem sanadas.

Assim, segue abaixo os nossos questionamentos e gostaríamos e muito de ter uma data acertada para publicação.

Grato pela atenção.

Roberto Leite.

1- Vocês poderiam apresentar uma prestação de contas sobre a gestão de risco da empresa ? O que foi feito em 2011 sobre esta questão ?

2- Sobre as questões relativas a corrupção, quantos casos foram identificados pela empresa e como foi tratada a questão ?

3- Com relação aos fornecedores, vê se que dos 1100 contratos firmados com fornecedores críticos, apenas 30 foram auditados em 2011, menos de 3% do total. Será que é por isto que não se tem registro de desvios? Qual a razão de uma auditoria numericamente tão pequena ?

4- Seria possível conhecer as cláusulas de direitos humanos que devem ser atendidas pelos fornecedores da Alcoa?

5- O que é avaliado em termos de sustentabilidade pela Alcoa de seus fornecedores presente no questionário citado na página 6 ?

6- Quando que o Fundo Juriti investiu na comunidade neste ano de 2011 ?

7- Vocês poderiam definir o que é erro humano no conceito da Alcoa sobre as relações trabalhistas ?

8- Por que vocês não possuem uma política formal para contratar fornecedores locais ?

9- Por que apesar das boas taxas de clima organizacional a rotatividade de empregados jovens cresce ano após ano ?

10- Vocês poderiam explicar como funciona o conselho regional de relações comunitárias e como é efetivamente realizada sua governança ? Este projeto ocorre em todas as plantas da Alcoa ?

11- Vocês não citam no relatório exemplos de projetos sociais e resultados. Vocês poderiam ser mais claro neste ponto ?

12- Parabéns por exemplificar que para Alcoa fornecedor local é aquele que está no município da sua operação. Muito claro isto! Mas gostaríamos de saber porque os fornecedores das pequenas cidades estão diminuindo ano após ano dentro do portfólio da Alcoa ?

13- Gostaríamos de sugerir que no próximo ano a empresa apresente informações além dos funcionários, mas também dos terceiros. Num mundo onde a terceirização é bastante comum, é uma pena não recebermos estas informações. A GRI é bastante clara ao pedir isto em vários indicadores da família LA, como o LA1, por exemplo. Faltou informações importantes sobre esta questão das relações trabalhistas.

14- Sobre as hidrelétricas, sentimos uma falta de transparência sobre as polêmicas acerca das usinas Barra Grande e Pai Querê. Sem entrar no mérito das controvérsias do projeto, entendemos que um relatório de sustentabilidade deve atender ao princípio de equilíbrios trazendo as notícias boas e ruins, e neste ponto este relatório deixa a desejar, uma vez que não traz absolutamente nada sobre toda a forma que este projeto está sendo conduzido, se limitando a escrever que existe 93% de aprovação da população no entorno do município da usina Barra Grande. 
A audiência pública de Pai Querê foi bastante complexa, o que no mínimo mereceria uma abordagem mais assertiva neste relatório. Do ponto de vista de credibilidade, a Alcoa acaba nos deixando, a partir deste momento de leitura, com a “pulga atrás da orelha” sobre a gestão da empresa nesta questão. 
Poderíamos receber esclarecimentos e a visão da empresa sobre tudo o que se divulga na internet (e não é pouco) sobre estes projetos? Ou devemos formar nossa opinião com o que está sendo publicado? 

Vejam o que encontramos a respeito:
 http://riouruguaivivo.wordpress.com/,
http://observatorioambiental.com.br/2012/03/26/mais-uma-hidreletrica-do-pac-e-questionada-por-ambientalistas/

http://crismenegon.com.br/portal/1-artigos/2017-a-barragem-de-paiquere.html

São críticas e mais críticas sobre destruição, desrespeito a comunidades, fraudes, erros técnicos e por aí vai...


15- Muito interessante e claras as informações sobre as medições e reduções de emissões, no entanto não ficou claro por que houve um aumento considerável nas emissões oriundas de carvão mineral nos ultimos anos. Por que isto acontece ? Este aumento não contradiz o posicionamento da empresa frente suas afirmações relativas a qualidade do ar ?


16- A empresa reporta dados sobre a redução do consumo específico de água. Como está a visão da empresa em relação a pegada hídrica, que agora tem um protocolo montado para esta análise?


17- O que vocês querem dizer na nota da página 20 denominada EM 2011: “ a redução obteve aumento em seu consumo de 7,7%” ?

18- O que a empresa faz com os resíduos perigosos que não são reciclados ? Qual a segurança da sociedade para com a destinação correta destes resíduos ?

19- Sabemos que as atividades da  mineração são impactantes para moradores do entorno das unidades. Estranhamos não encontrar qualquer informação sobre isto no relatório. Poeira, condição de estradas, acidentes de trânsito causados por caminhões da empresa ou terceiros, nada disto e reportado para nós, leitores. Vocês possuem essas informações ?

20- Retirando o investimentos em parques de conservação, quanto a Alcoa investiu em projetos sociais em 2011 ?

21- Vocês afirmam que das áreas degradas em 2012 vocês recuperarão 120 hectares. Isto é quantos % do total a ser recuperado ?


22- A Alcoa traça uma linha de 1,5 milhão em multa para o conceito de significativo e daí afirma que não foram emitidas multas significativas ambientais. Qual a razão de se escolher a base de 1,5 milhão ? Os stakeholders que vivem próximo a uma unidade da Alcoa adoriam saber das multas mais baixas, relacionadas aos impactos causados na vida deles. Que tal apresentar as multas com valores até R$ 50.000,00? Será que o cenário muda? A empresa paga todas as multas ou recorre sempre ?


23- Sobre segurança vocês reportam que não houve óbitos. Isto também se aplica a todos os funcionários de empresas terceiras que trabalham para a Alcoa? Aliás, qual é afinal o número de funcionários de empresas que prestam serviços para a Alcoa?

24- Apesar de não haver óbito, o total de incidentes com lesão aumentaram de 10 para 11. Isto não é uma bomba relógio armada para um futuro acidente fatal ? Qual o trabalho da empresa para reduzir este índice ?




quarta-feira, 11 de maio de 2011

Alcoa - Obrigado pelo empenho em nos responder



Olá Amigos,

No domingo a noite recebemos a resposta da Alcoa. Fiquei um tanto quanto triste, pois o pessoal ficou respondendo as nossas perguntas ao invés de curtir o dia das mães.

Bem..... Após o recebimento da resposta, a nossa equipe leu o todo o material e ficou muito satisfeita com o interesse e a disponibilidade da empresa em nos responder, no entanto, as respostas no campo ambiental e de segurança no trabalho não ficaram claras.

Ao lerem as respostas vocês poderão notar que apesar de haver respostas, tudo foi muito superficial e prolixo, destaque para as emissões atmosféricas, multas ambientais e índice de acidentes no trabalho.

No restante, notamos que as respostas foram adequadas e muitas vezes bem completas, o que denota que toda a empresa se empenhou muito em nos responder. Realmente a Alcoa busca manter um ótimo relacionamento com a sociedade.

Segue anexo a resposta encaminhada pela empresa. Boa leitura a todos.


1.       1- O presidente da Alcoa afirma que: “Em todos os casos a Alcoa demonstrou que crescimento responsável é possível sim, tornando realidade o engajamento dos stakeholders, além de buscar, de forma inteligente e agressiva, a minimização da nossa pegada ambiental. Em vários momentos e oportunidades ocorreram, nesse sentido, reconhecimentos de respeitáveis organizações e entidades que muito nos orgulharam.” No entanto no relatório não vimos isto de uma maneira tão clara. Vocês poderiam passar os dados concretos de melhora social e empregabilidade do Centro de Oportunidades e Informações? Vocês poderiam apresentar toda a pesquisa Ibope realizada em Juruti - PA?

A Alcoa acredita que o crescimento sustentável é possível e a empresa tem buscado desenvolver suas operações suportada por esta premissa. No entanto, entendemos que este é um caminho em construção e não há um modelo pronto e universal. O diálogo é a base deste caminho em construção.

No caso do projeto Juruti, além do estrito cumprimento de todas as condicionantes das nossas licensas de operações, buscamos desenvolver ações complementares para a melhoria da qualidade de vida da população local. Este conjunto de ações, que chamamos de Agenda Positiva, foi construído e vem sendo desenvolvido em parceria com sociedade de Juruti e a Prefeitura Municipal. As ações da Agenda Positiva são focadas nas áreas de saúde, educação, assistência social, segurança e justiça, cultura e infra-estruturas urbana e rural. Estas ações foram definidas a partir das demandas apresentadas nas reuniões preparatórias, audiências públicas, reuniões com lideranças comunitárias e poder público.

Entre as ações realizadas, vale destacar:
·         Saúde: construção do Hospital Comunitário de Juruti; reforma e ampliação do Hospital Municipal Francisco Barros; e reforma das Unidades Básicas de Saúde dos bairros Palmeiras e Maracanã.
·         Educação: construção de 16 salas de aula em escolas municipais; e implantação de escola provisória do Senai, focada na capacitação da mão de obra local. Esta unidade será substituída pela escola definitiva, que está em fase de construção.
·         Assistência: construção da sede do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) e da casa do Conselho Tutelar
·         Segurança e Justiça: reforma e ampliação na Delegacia de Polícia; construção do alojamento Polícia Militar; e aquisição de equipamentos de informática para Termo Judiciário
·         Infraestrutura: perfuração de poços; aquisição de caminhões compactadores de lixo; melhorias e reparos em ruas da cidade; melhorias do aterro sanitário atual; início da construção de aterro sanitário; estruturação do Núcleo Jabuti: arruamento, perfuração de poço e construção de escola, campo de futebol; construção de pontes; melhorias em estradas vicinais e ramais da comunidade de Santo Hilário

No que diz respeito à empregabilidade, a Alcoa busca privilegiar o desenvolvimento e a contratação da mão de obra local ou de regiões próximas, conforme demonstrativo abaixo. Vale destacar que o período entre 2006 e 2009 compreende a fase de construção da unidade (por este motivo possui um número superior de trabalhadores) e que os dados abaixo incluem empregos diretos e indiretos:

Ano
2006
2007
2008
2009
2010
Juruti
1.162
2.075
2.032
505
587
Outras cidades PA
636
2.539
654
564
775
Outros estados
400
1.128
2.093
294
276

Desde junho de 2006 a companhia mantém parceria com o Senai para o desenvolvimento de profissionais, com um nível de aproveitamento destes alunos nos quadros da Alcoa é de 50,24%.

Em pesquisa realizada pelo Ibope em 2010, o índice de favorabilidade sobre a presença da empresa no município de Juruti cresceu dois pontos percentuais se comparado à pesquisa realizada em 2009, aumentando de 89% para 91%. Este índice contempla as opiniões favoráveis e neutras. Se consideradas apena as favoráveis (totalmente a favor e parcialmente a favor), o índice de favorabilidade é de 49% e neutralidade 42% em 2010.

Estes dados consideram a opinião de 670 pessoas, sendo 53% homens e 47% mulheres, pertencentes em sua maioria às classes E (49,4%), D (19%) e C (11%), com média de idade de 38 anos. A mesma pesquisa revela ainda outros dados:

·         No município de Juruti (PA) ocorre a alta mobilidade social entre as duas medidas, alinhada à realidade brasileira nos últimos anos:
o   classes CD crescem de 30% para 40% em detrimento da diminuição da classe E (68% para 49%)
·         Ascensão em termos de classificação social (Critério Brasil) provocada pelo aumento na posse de itens de conforto de maior valor, tais como tevê, geladeira, freezer e banheiro, mas também ratificada pelo aumento real na renda média familiar entre os dois anos (de R$ 480 para R$ 750)
·         Não se observam diferenças significativas no nível de ocupação da população entre 2008 e 2010 (da ordem de 2/3 aproximadamente), tampouco no nível de escolaridade – mais da metade dos moradores têm até o ensino fundamental completo
·         O nível de informações que a população considera ter sobre a Alcoa em Juruti é de 41% (pessoas que se declaram bem ou mais ou menos informados)
·         A origem dessas informações se dá, em grande nas das associações de bairro e reuniões nas próprias comunidades
·         Ainda no tema comunicação, os veículos da Alcoa têm se mostrado eficientes para informar a população. No entanto, ainda não chegam a todos os moradores
·         São e continuam sendo percebidos espontaneamente como pontos mais positivos da Alcoa a geração de empregos e a pavimentação urbana:
o   moradores urbanos reforçam esta posição e destacam também a construção e reforma de hospitais da cidade
o   positivamente, moradores da área de influência direta destacam o aumento no número de escolas e a construção de estradas como vantagens vindas ‘ no pacote’
·         Supostas agressões ao meio ambiente são o lado mais vulnerável da Empresa, tanto pelo desmatamento quanto pela poluição
o   para os ‘urbanos’, além do meio ambiente, a violência, a super população e o trânsito também são fontes de preocupação de críticas, já que interferem mais diretamente em seu cotidiano
·         Apesar disso a grande maioria não nega a importância da Alcoa para o desenvolvimento de Juruti e do Pará (acima de 70%)
·         Críticas à parte, mais de 50% da população reconhece que a vinda da Alcoa para Juruti provocou mudanças positivas em suas vidas e, outra boa parcela (38%) pensa que se não trouxe vantagens, tampouco desvantagens
·         Corroborando o reconhecimento que se faz à Alcoa nas diversas áreas, as ações específicas promovidas pela empresa são consideradas de alto impacto positivo na vida da população:
o   das 33 ações estimuladas, 32 tiveram avaliação superior a 80% na percepção de melhora – exceção à construção do Hospital Municipal de Juruti, ainda assim muito bem avaliado (70%)
·         A imagem da Alcoa permanece estável e positiva na grande maioria dos atributos testados.

2.       2- Qual a porcentagem de compras efetuadas junto a fornecedores da própria localidade? Vocês afirmam que possuem um indicador, mas não apresenta.

Os indicadores sobre a porcentagem de compras efetuadas junto à fornecedores da própria localidade estão relacionados na página 45 do Relatório de Sustentabilidade da Alcoa Alumínio S.A. 2009/2010, sob o título EC6 Políticas, práticas e proporção de gastos com fornecedores, conforme tabela a seguir

Unidades
2007
2008
2009
Alumar
34%
52%
55%
Centro Empresarial de São Paulo
72%
74%
75%
Itapissuma
29%
24%
28%
Poços de Caldas
34%
33%
39%
Sorocaba
18%
16%
15%
Tubarão
39%
37%
35%
Utinga
20%
24%
22%
Juruti
-
-
15%

Para a Alcoa, fornecedores locais são aqueles que estão situados na cidade onde a unidade está localizada. A partir de 2010, este indicador passou a ser composto a partir dos dados do sistema de compras Alcoa, conferindo maior acuracidade aos números. Essa mudança também gerou alterações em alguns anos anteriores.

3.       3- Qual o critério de seleção de pessoas para participar do Conselho Regional de Relações Comunitárias?
Para tornar o relacionamento com as comunidades onde atua o mais transparente possível, garantir os benefícios e a continuidade das ações sociais, a Alcoa criou, em 2001, o Conselho Regional de Relações Comunitárias, responsável pelas decisões das aplicações dos recursos do Instituto Alcoa e Alcoa Foundation, destinados às comunidades.

As entidades que compõem os Conselhos Regionais foram convidadas à época da criação em cada localidade, considerando-se sua representatividade na comunidade. São representantes dos três segmentos (Setor Privado, Poder Público e Organizações da Sociedade Civil) nas diversas áreas importantes para o desenvolvimento comunitário, tais como Educação, Saúde, Infância e Adolescência, por exemplo.

É importante preservar a diversidade de componentes do Conselho Regional, garantindo que não haja viés para um determinado tema a ser desenvolvido na região.

  Renovação do Conselho Regional de RC de Poços de Caldas:

Os membros do Conselho Regional de Relações Comunitárias da Unidade de Poços de Caldas são divididos em efetivos e rotativos. Os membros efetivos representam instituições e também a Unidade de Poços, e são substituídos se deixarem a instituição/empresa, ou o cargo na instituição/empresa que representam.

Os membros rotativos representam regiões da cidade de Poços de Caldas; cidades onde a Unidade mantém operações, ou áreas, como a de Saúde, de Educação, Empresarial e Social (instituições). Os membros rotativos são renovados a cada dois anos. Eles são escolhidos/convidados pela Alcoa. Os representantes de Andradas, São Sebastião da Grama e Divinolândia são definidos em conjunto com o prefeito da cidade.

Não há um dirigente ou presidente no Conselho. A coordenação do Conselho Regional de RC é da supervisora de Assuntos Institucionais da Unidade, e o sponsor do Conselho é o gerente de Operações da Unidade. O número total de conselheiros é de 12, sendo seis efetivos e seis rotativos.

Renovação do Conselho Regional de RC da Alumar:
A Alumar implantou o conselho consultivo em setembro de 2003. Atualmente o Conselho Consultivo da Alumar  conta com a participação de 19 instituições entre representantes do setor privado, órgãos municipais e estaduais, sociedade civil e ONGs. As instituições foram escolhidas por meio da representatividade que têm para o estado, para a comunidade e contribuem de forma significativa no desenvolvimento local sustentável.

As instituições foram convidadas pela Alumar e anualmente é enviada uma correspondência à instituição solicitando a validação do atual representante e do seu suplente e/ou a indicação de novos representantes. Todos os membros são permanentes.

O nosso Conselho tem como missão:
ü   Compartilhar as decisões  e responsabilidades na definição do investimento social do Instituto Alcoa  e da Alcoa Foundation;
ü   Contribuir com a discussão sobre a alocação de recursos nos projetos;
ü   Analisar e priorizar os projetos comunitários pré-selecionados pela Alumar;
ü   Buscar oportunidades de parcerias para os projetos apresentados.

Além disso, o Conselho Consultivo possibilita o fortalecimento das ações da localidade, reforçando o compromisso com as comunidades e promovendo a integração entre empresa, comunidade e poder público.

4.       5- Vocês falam muito do Instituto Alcoa, mas quanto efetivamente é investido por ano neste instituto e qual a relação com o faturamento da empresa?
O Instituto Alcoa é uma entidade sem fins lucrativos, políticos ou religiosos. Foi criado em 1990 com o objetivo de melhorar as condições de vida nas comunidades onde a Alcoa Alumínio e suas subsidiárias operam, por meio de programas sociais.

Desde 1990, doações efetuadas pela empresa Alcoa Alumínio S.A permitiram ao Instituto Alcoa ter seu endowment  (fundo permanente). O rendimento do montante principal é analisado anualmente e, somado aos recursos adicionais provenientes da Alcoa Foundation, é aplicado em projetos comunitários e programas de voluntariado. Os valores investidos pelo Instituto Alcoa não estão ligados ao faturamento da Alcoa Alumínio S.A.

Em 2010 foram direcionados mais de R$ 3.819.740 (US$2.165,138), em 75 Projetos Comunitários, sendo 61 realizados pelo Instituto Alcoa e 14 realizados pela Alcoa Foundation, beneficiando mais de 386 mil pessoas em 39 municípios brasileiros. Para obter informações sobre anos anteriores, veja também a página 55 e 80 do Relatório de Sustentabilidade da Alcoa Alumínio S.A 2007/2008, disponível no site www.alcoa.com/brazil/pt/custom_page/sustentabilidade/relatorio_anteriores.asp

5.       6- Por que somente 18% dos cargos gerenciais da empresa são de mulheres? Não pode ser mais?

A participação de mulheres em cargos de liderança é um dos grandes desafios para o setor de mineração e metalurgia. A Alcoa tem desenvolvido diversas iniciativas para aumentar o número de mulheres nos níveis de alta liderança. Nos últimos cinco anos esse numero dobrou e o plano é que continue a aumentar ao longo dos próximos anos. Apenas entre 2009 e 2010 tivemos um aumento de cinco pontos percentuais neste índice, saindo de 13% para 18%. A estratégia da companhia é de aumentar de maneira natural o número de mulheres e não forçar o turnover. Isso significa que à medida que temos novas posições de liderança podemos fortalecer a inclusão de mulheres.

6.       7- Vocês afirmam: “O grande desafio da Alcoa é nivelar as percepções a respeito dos perigos e riscos de suas atividades para funcionários de empresas contratadas e Alcoanos, pois somente dessa forma nosso sistema de gestão da segurança atingirá níveis excelentes. Como isto é feito?  Existe alguma evidência que comprove a eficácia na gestão deste grande desafio?
Dentro do nosso modelo de gestão, possuímos um processo denominado “Desempenho Humano”, que possui como premissa o conceito do “cuidado ativo”. Este processo, simbolizado pelo animalzinho Suricato1 em nossa Região (América Latina e Caribe), é um processo relativamente novo nas unidades da Alcoa em todo o mundo. Uma de suas premissas fundamentais reside na capacidade de identificação e correção de perigos proativamente. Quando falamos em nivelamento, estamos assumindo o desafio de ter essa capacidade de levantamento, observação e correção adquirida por todos àqueles que trabalham dentro das unidades da Alcoa, sejam alcoanos e/ou contratados. Quanto maior for a capacidade de percepção de perigos/riscos e a participação de todos os funcionários, maior será a nossa capacidade, como organização, de endereçar e corrigir os perigos, adicionar camadas de proteção, antes que eles possam tornar-se incidentes com lesão ou eventos de maior importância, como os que podem resultar em fatalidades se não forem identificados e controlados preventivamente. As unidades de São Luís (MA) e Poços de Caldas (MG), como exemplo, possuem um processo intitulado de “Maratona de Segurança”, com indicadores de performance de segurança preventivos, tais como:
·         participação da alta liderança das empresas contratadas nas inspeções de segurança em campo
·         divulgação/compartilhamento de idéias (melhores práticas) para evitar lesões no trabalho
·         menor número de não conformidades observadas em auditorias internas

Esses e outros indicadores proativos são divulgados e discutidos mensalmente com a participação das lideranças das empresas contratadas e da Alcoa. Outras unidades do grupo já estão adotando esse processo. Como resultado, as taxas de lesões das empresas contratadas hoje estão no mesmo patamar estatístico que as taxas da Alcoa.

Outro indicador relevante, que passou a se monitorado a partir de 2010, é o número de perigos notificados por cada funcionário. A meta da Região é a identificação de cerca de 22 mil perigos, até o momento já foram identificados cerca de 9 mil. Isso mostra a aderência e participação da nossa força de trabalho. Outro fator relevante é que nenhum perigo de fatalidade identificado fica sem uma camada de controle, que reduza o potencial para fatalidade, por mais de 30 dias.

Todos os funcionários diretos e indiretos são treinados na identificação de perigo de fatalidade, então temos todos os funcionários identificando e eliminando perigos de fatalidade dentro das plantas. Anualmente fazemos campanhas focadas em prevenção de fatalidades. No processo de reconhecimento por este engajamento cada funcionário que elimina um perigo de fatalidade planta uma árvore em um lugar reservado chamado de Bosque Vida.

¹ A Região adotou como mascote o Segurito, um suricato estilizado, que representa o cuidado ativo cujo lema é “eu me cuido, cuido do meu colega e deixo que cuidem de mim.” O suricato é um animal muito frágil, mas que consegue viver em um ambiente extremamente hostil, a savana africana, graças ao cuidado ativo e à interdependência.

7.       8- O aumento da taxa de gravidade dos acidentes de 2008 para 2009 de 6,99 para 21,17 foi devido a morte do empregado?
8.       Porque a taxa de lesões subiu de 0,25 para 0,31?
Respostas 7 e 8: O ano de 2009 e parte de 2010 foram marcados fundamentalmente pelo comissionamento (colocação em operação) dos dois maiores projetos realizados em nossa região, a Expansão da Refinaria de Bauxita em São Luís (MA) e a implantação da mina de bauxita em Juruti PA).

O comissionamento para a área de segurança é uma das etapas mais críticas de nossas operações, pois todo equipamento novo, tubulações e sistemas, estão saindo da “guarda” da equipe da construção e sendo “entregues” para a equipe da operação. Várias atividades importantes e perigosas - como testes de sistemas elétricos (subestações), isolamentos de tubulações, testes de estanqueidade dos novos tanques, sistemas operacionais de equipamentos pesados como retomadoras de bauxita - demandam o envolvimento de pessoas, além de desmontagem de estruturas de apoio como andaimes entre outras.

Em decorrência dessas diversas atividades e da natureza da mão de obra temporária, ainda que sob intensa inspeção e orientação dos times de segurança de ambos os projetos, fez com que considerássemos o ano de 2009 como um ano de exceção em nossas operações.

9.       9- Vocês afirmam que as vídeos-conferência sobre incidentes estão ajudando a reduzir os incidentes, mas parece que isto não é verdade, pois os acidentes aumentaram. Será que não se está perdendo muito tempo com conversas e as ações não estão ocorrendo?
É importante ressaltar que os anos de 2009 e parte de 2010 são considerados exceções em nossas operações, devido à entrada em operação e todos os riscos implícitos nesta atividade em dois novos e grandes projetos, a expansão da planta de São Luis (MA) e a mina de Juruti (PA).

Nossa experiência, bem como de outras empresas de referência no gerenciamento de segurança como a DuPont, demonstra que a participação de toda a força de trabalho é fundamental na redução incidentes. As abordagens por conversas, videoconferências, reuniões diárias, ou outros canais, são parte de uma estratégia em que a participação das lideranças é o fator essencial para a mudança de cultura e redução das taxas de incidentes. Ao falarmos em mudança de cultura, estamos nos referindo a ações de médio e longo prazos.

A adoção de iniciativas como o ZIP – Zero Incidente é Possível e o mascote (Segurito), que permite a utilização de uma abordagem diferenciada ao tema Segurança – demonstram os esforços da companhia em proteger seus trabalhadores.

10.   10- Vocês realmente acreditam que 67% de satisfação dos empregados é um índice alto? Não seria ideal um percentual maior ou igual a 75% para ser ideal?
Entendemos que o índice de satisfação de 67%, se considerado o cenário global e seu impacto em nossos negócios, é positivo, mas precisa ser melhorado. Nossa meta é crescer este ano 10% em relação à pesquisa realizada em 2010. Consideramos esta uma meta bastante agressiva e desafiadora, porém realista.

11.   11- Para a Alcoa, a consciência ambiental com relação a reciclagem de alumínio não é uma ameaça ao negócio? Pergunto isto, pois o alumínio é o mineral mais fácil de se reciclar, o que pode reduzir consideravelmente a venda da bauxita. Como vocês analisam esta questão? Como o negócio pode sobreviver dentro deste conceito?
A Alcoa entende que uma das principais vantagens competitivas do alumínio frente à outros materiais é a sua capacidade de ser infinitamente reciclado e esta é  também como uma grande oportunidade de negócio. No entanto, esta característica do metal não elimina e não eliminará a necessidade de produção de alumínio primário nas gerações futuras por três motivos principais:

1.       O crescimento projetado para a demanda mundial de alumínio nos próximos 10 anos aponta para um volume equivalente ao dobro do atual. Será impossível de atender esta demanda apenas com material reciclado.
2.       O ciclo de vida da grande maioria dos produtos feitos em alumínio é bastante longo, com mais de 10 anos. Entre os exemplos estão peças de automóvel, caminhões e ônibus; esquadrias de portas e janelas; cabos de transmissão elétrica; entre outras aplicações. Uma exceção são as latas de alumínio e embalagens em geral que têm ciclo de vida bem mais curto, de apenas alguns meses, mas estes segmentos respondem hoje por menos de 30% do consumo brasileiro de alumínio.
3.       Existem algumas ligas para aplicações especificas que exigem um metal mais puro que necessariamente precisa ser produzido com metal primário.

12.   12- Vocês possuem dados concretos sobre o relacionamento com fornecedores (dados quantitativos), pois o que foi apresentado no relatório está mais no nível de proposta.
Temos algumas iniciativas focadas no relacionamento com os fornecedores, entre as quais, destacamos:
  • Criação da página de fornecedores no site da Alcoa. Este espaço é dedicado a disseminação de informações, esclarecimento de dúvidas sobre os processos de compras, questões socioambientais, etc. hoje temos mais de 840 fornecedores cadastrados neste portal
  • Realizamos uma avaliação dos aspectos socioambientais de 80% dos fornecedores das categorias consideradas críticas para o nosso negócio e a nossa meta é de atingir 100% destes fornecedores até o final do ano.
  • Realizamos no último ano workshops, com participação com 115 fornecedores, onde foram abordados os temas de sustentabilidade, com o intuito de engajar os fornecedores.

13.   13- Por que uma empresa do porte da Alcoa apresenta um relatório somente nível B+?
Acreditamos que a Alcoa possui boas iniciativas e resultados efetivos de suas atividades em busca da sustentabilidade, mas este é um caminho em construção. Conforme citado nas diretrizes do GRI, os níveis de aplicação fornecem “uma visão ou caminho para a expansão progressiva da aplicação da Estrutura de Relatórios da GRI ao longo do tempo”. Esta crença se reflete na forma de definir os indicadores a serem reportados, que no nosso caso, utiliza o teste de materialidade dos 7+2 temas estratégicos. Desta forma, os indicadores até então reportados pela Alcoa cobrem esses temas materiais. Temos atuado com base nesta premissa e o nosso processo de relato vem passando por melhorias contínuas e uma delas este ano será de reportar nível A+.

14.   14- Em 2009 o lucro líquido foi de 10 milhões de prejuízo? Foi isto mesmo?
Antes das mudanças na lei 11638, relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras, que estão alinhadas ao International Financial Reporting Standards (IFRS), a empresa registrou prejuízo de R$ 11 milhões em 2009. Como a adoção da nova legislação ocorreu este ano com impactos retroativos, a Alcoa revisou seus dados e, com base na mudança da legislação, o valor correto registrado pela companhia em 2009 é de prejuízo de R$ 87 milhões. Este ano foi negativamente impactado pela apreciação do Real e preços de matérias-primas, principalmente óleo combustível.

15.   15- Por que a produção está caindo de 2007 para 2009?
A evolução da produção de alumínio da Alcoa, em milhares de toneladas, é a seguinte:
Ano
2007
2008
2009
2010
Volume
365
371
326
348
A queda verificada em 2009 deveu-se à parada de uma linha em 2009 na fábrica de Poços de Caldas, face à crise econômica global de 2009, que impactou fortemente os preços do alumínio. O valor do LME (London Metal Exchange) caiu de US$ 2.615 para US$ 1.665 por tonelada de alumínio de 2008 para 2009; em fevereiro chegou a cair a patamares de US$ 1.250 por tonelada.

Sobre a alumina, a produção manteve-se estável em cerca de 2,9 milhões de toneladas em 2007 e 2008. A produção aumentou de 2,95 para 3,88 milhões de toneladas de 2009 para 2010, refletindo a expansão da refinaria da São Luis (MA), cuja capacidade total passou de 2,1 para 3,4 milhões de toneladas de alumina.

16.   16- Por que aumentou-se o consumo de carvão mineral e caiu o consumo de GNL? Isto não é um posicionamento sustentável. Vocês não concordam?
O carvão mineral é utilizado nas caldeiras da Refinaria de Bauxita em São Luís (MA) para geração de vapor, etapa inicial da obtenção da alumina a partir da bauxita. O seu consumo aumentou com a expansão da unidade em 2009. A Alcoa está pesquisando a possibilidade de utilização de fontes alternativas de energia, como a biomassa, para substituir parte do carvão mineral no futuro. Além dos fatores técnicos para sua utilização, estamos verificando questões como garantia do suprimento da biomassa em quantidade e qualidade, bem como certificação da sua origem, logística e preço.
 
A busca por melhores fontes de energia não param por aí. Em Poços de Caldas, em 2011, todas as caldeiras foram convertidas a gás natural e até o final do ano os fornos dos calcinadores também serão operados a gás natural, substituindo óleo combustível. Na área da redução de alumínio, fornos de cozimento de anodos, em São Luís, o Diesel utilizado nos fornos será substituído por FLEX-GAS, uma mistura de gás natural e ar.  A tabela abaixo ilustra a magnitude das reduções de emissões de CO2 equivalente/ano com a execução desses projetos até o final de 2011. Além disso, a frota de veículos industriais, empilhadeiras, utiliza a mistura de 20% de biodiesel bem antes da exigência legal. Estamos agindo no sentido da sustentabilidade.

Projeto
Quantidade de óleo BPF/Diesel que era usada anteriormente
Redução de emissões em toneladas CO2 Equivalente/ ano
Uso de Gás Natural nos calcinadores e caldeiras – Poços de Caldas (MG)
92 milhões de litros de óleo BPF/ano
69.500 tonelas/ano
Flex-Gás – São Luís (MA)
24 milhões de litros de Diesel/ano
12.000 toneladas/ano




17.   17- Por que está aumentando as emissões de NOx e de mercúrio ?
18.   18- Por que aumentou tanto os resíduos de bauxita de 08 para 09?
Para facilitar a compreensão do leitor, uma vez mais iremos responder duas perguntas em um contexto. Tanto o aumento da geração de resíduos de bauxita, quanto de emissões em valores absolutos de NOx, ocorram em função do aumento de produção de alumina como resultado do projeto de expansão da Refinaria de São Luis (MA). Vale ressaltar, entretanto, que todas as emissões específicas, tonelada de efluente por tonelada de produto estão sendo reduzidas, ou seja, estamos aumentando a nossa eficiência no tratamento dessas emissões. O aumento do mercúrio também é reflexo desta expansão. Em 2009, conseguimos alcançar melhore resultados na capacidade de extração e recolhimento desse elemento, a partir do aumento na eficiência dos condensadores instalados na área da digestão. Todo material recolhido é enviado para empresas devidamente habilitadas para dispor e tratar esse elemento.

19.   19- Vocês não responderam... Qual o PERCENTUAL de empregados treinados nas políticas e procedimentos anticorrupção ?
A política anticorrupção, que se aplica a todos os funcionários da Alcoa, é divulgada constantemente por meio de nossos canais de comunicação, além de estar acessível como destaque na nossa intranet. O foco dado pela companhia aos treinamentos específicos sobre o tema está nos funcionários em cargos mais suscetíveis a esse tipo de risco. Do total de colaboradores no Brasil, cerca de 6.400 pessoas, aproximadamente 1.500 funcionários passaram por treinamentos específicos sobre o tema. Além disso, há diversos treinamentos sobre políticas e procedimentos anticorrupção que permeiam os outros treinamentos realizados pela companhia sobre ética, que são gerenciados pelo departamento de compliance da Alcoa Inc. (Pittsburgh).

20.   20- Não entendi bem este termo: "A Empresa pode decidir fazer contribuições financeiras para apoiar ou derrotar iniciativas públicas que possam afetar os negócios da empresa de forma substancial" Achei muito estranho.... vocês poderiam explicar ? O link dado como justificativa não responde minha dúvida.
Esta informação foi retirada do capítulo que se refere às “Atividades e contribuições políticas” da companhia (página 24) do Código de Conduta Empresarial da Alcoa. Esta política explica a posição da Alcoa em não contribuir com a doação de recursos financeiros para partidos, candidatos ou campanhas. A mesma política explica que a companhia pode realizar contribuições financeiras para apoiar iniciativas públicas que estejam alinhadas aos negócios da empresa, desde que elas possuam uma justificativa e sejam aprovadas pelo departamento Jurídico e pelo CEO da empresa.

21.   21- Uma multa de 1 milhão é visto como algo insignificativo para vocês (SO 8)? Para quem teve um prejuízo de 10 mi acho que 1 mi deve valer alguma coisa.
Para a Alcoa, multas relacionadas às questões socioambientais, independente de seu valor, são consideradas como uma falta grave nos nossos processos administrativos. Planos para resolver a questão são imediatamente iniciados, com ações que entrarão em contínuo monitoramento pela liderança do negócio, não saindo deste regime de monitoramento intenso até que a questão seja definitivamente resolvida.

22.   22- A resposta dada ao item: HR 2 Percentual de empresas contratadas e fornecedores críticos submetidos a avaliações referentes a direitos humanos e as medidas tomadas. Não foi a resposta condizente com a pergunta. Vocês poderiam rever as respostas?
Conforme esclarecimento realizado na questão 12, foram submetidos ao processo de avaliação em aspectos socioambientais 80% dos fornecedores das categorias críticas e a nossa meta é de atingir 100% até o final deste ano. Além disso, mensalmente checamos a lista do Ministério do Trabalho para 100% da nossa base ativa de fornecedores e também para novos fornecedores. Adicionalmente, 100% dos nossos pedidos e contratos, por meio dos Termos e Condições de Fornecimento, possuem cláusulas referentes ao cumprimento da legislação sobre Diretos Humanos e da Norma SA 8000.